domingo, 21 de junho de 2009

Carta para dor.



São tempos difíceis, minha bela... Precisei partir. Escrevo de um lugar onde nem meus pesadelos se ousariam a visitar. No momento, estou cruzando os céus e talvez esta seja a única vez em que me aproxime de Deus. Não sei se vou voltar pra casa, nem sei se sufocarei teu saudoso choro em meus abraços... Tudo isso é tão incerto quanto o que me espera logo abaixo. Caso esta carta chegue às suas mãos, infelizmente eu não estarei aqui. Quero repetir à você, meu amor, que só escolhi esta vida pensando em você e no nosso filho que você esperava... Lembra quando você me disse que tudo ficaria bem? Que não importasse o que acontecesse, você estaria comigo? E ainda éramos muito jovens... Pois agora, é a minha vez de te dizer tudo isso e um pouco mais. Você me fez forte, me deu força e armas mais poderosas do que as que carrego. Amor, afeto, carinho e os melhores anos da minha vida, eu levarei para sempre. Não luto por essa pátria, nem por nossos aliados, mas luto por você e pelo pequeno Miikka. A guerra causa-nos muita dor, a mão de nenhum ser humano foi feita para tirar a vida de outro, mas darei tudo de mim para que você viva mais e melhor, e que o Miikka possa brincar, estudar e crescer livre.
Nesse exato momento, eu vejo aquele lugar onde pedi a tua mão, ele agora está vermelho, em chamas... Há cinza por todos os lados, mas posso lembrar muito bem da cor dos teus olhos, teu corpo muito bem desenhado no sobretudo roxo. No teu ventre, o pequeno Miikka ainda repousava. Às vezes acho que isso é um pesadelo, e que logo vou acordar e te abraçar, mas há muito pouco tempo para sonhar... Meus companheiros tentam ascender nossas esperanças, mas vejo a tristeza ecoar na cabine do avião, pois eles estão cantando músicas de muito longe. O Major Tuomas aqui do meu lado, nos manda felicitações pelo Mik, você irá conhecê-lo quando voltarmos! Assim espero. Agora que o sol desceu, e a lua está brilhante e bem lá no alto, deixe-me lhe desejar um Adeus, porque está escrito nas estrelas que todo homem deve morrer, não importa como ou por que. Sol e Lua são testemunhas que somos tolos por guerrear contra nossos irmãos...


Cuida-te muito bem, meu amor, em qualquer lugar que eu estiver... Até mesmo aí de volta ao teu lado, estarei olhando e caminhando com você. Dê tudo de si ao pequeno Miikka, como dei tudo de mim a vocês dois.


Do teu sempre fiel homem, Johannes Liimatainen.



2º Sgt. Johannes.




15 minutos depois de escrever a carta, o avião em que se encontravam o Sgt. Johannes e sua tropa, foi abatido pelos russos. A carta foi encontrada quase que intacta junto ao seu corpo.

5 comentários:

Ize. disse...

O.o Que triste.

Pelo lado positivo: ao menos ele teve uma chance de eixar as últimas palavras.

Roberta disse...

Que lindo o texto, passa inúmeras emoções, confesso que me deixou emocionanda. Ficou muito bom!

Thaís A. disse...

Ah, que trite. Eu não deixaria de jeito nenhum meu namorado/marido/pai/irmão seja quem for ir para guerra, eu vo junto!

lindo o texto!

jadeamorim.com disse...

Nossa, que texto lindo! Triste, mas lindo! Odeio a guerra sabe?! É uma coisa desumana!
Nunca deixaria alguém querido ir!
Adorei o blog! Sou nova por aqui! =)



Beijoos!

Dayane Pereira disse...

E o pior que tantas e tantas familias, de numeros incontaveis ja passaram por isso.. Qnts Sargentos Johannes..
parabéns pelo blog