domingo, 24 de maio de 2009

Helsinki... Suomea lempi.


Foi um dia gelado, como de costume, nas ruas de Helsinki. Tony, homem de estatura média, cabelos longos e negros, estava na cidade por acaso. Viajando e explorando as diversas faces do seu país. Ele não gostava muito das grandes paredes de concreto por todo lado, preferia o contato com a natureza, sentir o vento rabiscar o corpo, a sinfonia dos pássaros. Isso tudo lhe inspirava. Fim de tarde em Helsinki, o tempo convidava-o para uma boa xícara de chocolate quente, ou qualquer bebida local que aquecesse o corpo. A neve, finíssima, cessava aos poucos e o trânsito estava calmo. Tony atravessou a rua em passos largos e calmos, esfregava as mãos cobertas com luvas pretas, o vapor de sua expiração dissipava-se no ar. Do outro lado da rua, havia um belo restaurante local, e Tony não pensou duas vezes ao entrar no recinto.
Lá dentro, os cheiros de café expresso, pulla e salmiakki recém saídos do forno, se confundiam. Tony sentou-se à mesa mais próxima da janela, onde poderia ver a cidade dormir aos poucos. Foi quando avistou um rosto familiar.
- Posso anotar seu pedido, Senhor?- Disse a garçonete de vestido justo, não muito longo e preto, avental de um branco impecável e uma espécie de boina que escondia os seus longos cabelos loiros. Ela não o reconheceu, mas os olhos de Tony não costumavam enganá-lo.
- Sim... Apenas um expresso, com creme. – Ele manteve a calma, poderia não ser ela. Porém, não restou nenhuma dúvida quando ele leu o crachá do uniforme dela. Aliisa! Um acaso? Brincadeira do destino? Bem, o fato é que Tony nunca a esqueceu. Ambos foram os seus primeiros amores.
Aliisa retirou-se para trazer o pedido de Tony, enquanto isso Tony viajou no seu passado, sonhou acordado por poucos minutos. Tempo suficiente para ser despertado por Aliisa.
- Senhor? Senhor... O seu pedido.
- Desculpe Aliisa!
A convicção na voz de Tony fez Alissa pensar por um instante que eles se conheciam de vários tempos. Olharam-se estranho, porém com firmeza. Os olhos azuis de Aliisa pareciam não deixar os olhos negros de Tony escaparem.
- Há algo mais que o senhor queir...
- Sim, você! – Levantou e segurou a mão da bela moça. Já notaram como a voz do coração fala mais alto que tudo, às vezes? Bem, a do Tony calou até as vozes de outros clientes. Foi alto, preciso e forte. Do jeito que ele nunca foi antes. Todos observavam a cena.
- Senhor, eu não estou entendendo... – Aliisa, naturalmente, estava muito confusa.
- Liise, sou eu... – Só uma pessoa no mundo a chamava assim, e não eram seus pais.
- Tony! – Os dois pronunciaram juntos.
- Deus, você está tão... Tão diferente! – Tony percebeu o que ela quis dizer, mas logo esqueceu e tratou de ser rápido, não porque queria, mas pela necessidade.
- Liise... Eu não sei como ou porque vim parar justo aqui... Bem, passaram-se dois anos desde que você se foi, e... Aliisa! Desde que você se foi, posso fazer tudo que quiser, ver quem eu escolher, ir para onde der na teia, posso jantar em um restaurante sofisticado... Porém nada, eu disse nada pode me tirar essa sua falta. Apenas você. Tem sido tão solitário quanto um pássaro sem canção sem você aqui comigo... Bem, o que eu quero dizer... É que eu amo você!
O peso de dois anos caiu das suas costas, e ele sorriu.
- Tony...- Só foi o que deu tempo de Aliisa dizer antes que Tony a beijasse com todo amor e saudade de dois anos atrás. A neve começou a cair novamente, e foi a cena mais bela que todos puderam presenciar naquele lugar.

domingo, 10 de maio de 2009

Hipnótica cor.

Menina dos cabelos vermelhos, graça natural se renovando a cada dia. A doçura em seus olhos, a mensagem no seu sorriso não me deixa outro caminho, me tira todos. Alívio constante enquanto à noite me lembra um novo dia. Ela tem uma perfeita forma, mas tão impossível é desenhá-la... Procuro nas estrelas, na lua cheia, no branco intenso da neve, seu esplendor. Sinto tua ausência me queimar, e o fogo me lembra a dança dos teus cabelos ao vento. Eu não posso vê-la querida, mas eu posso senti-la, seja me tirando forças quando a noite cai, ou quando uma parte da tua luz ilumina o meu lado obscuro. Eu queria tanto estar ao seu lado, queria que você estivesse aqui também... Porque pensar, sentir, não basta quando nada, nada se compara a você. Nem o aroma das mais belas gotas de orvalho da manhã. Nada!
Às vezes vejo sua face, tão elegante, porém cansada... Até você deixar escapar a sua beleza, dosando-a a cada palavra. Lindos fios vermelhos, sorriso delicado e selvagem, ela buscou em si a combinação perfeita. A lembrança mais viva que tenho. Todos os dias eu a busco do fundo da memória, porque eu penso onde ela está, o que está fazendo, e penso como tudo seria tão mais cheio de vida e de cor se eu pudesse abraçá-la todos os dias. Eu não a soltaria. Esta é a maneira que eu saberia se fosse com você...






À minha linda amiga Débbi "Redhead"

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domingo, 3 de maio de 2009

Danna.


Há um porto em uma antiga cidade ao sul Europeu, onde vários navios de vários lugares aportam todos os dias. Próximo ao porto há um pequeno bar, ponto de encontro para vários marinheiros e mercadores. Nesse lugar, trabalha uma bela moça de olhos azuis como as águas da baía, e cabelos curtos e loiros como se em cada fio houvesse um pedacinho do sol.
Danna nasceu naquela pequena cidade, quando menina, costumava brincar nas pedras e catar mariscos, como toda criança. Porém, com a morte de seus pais, cresceu muito cedo. Ela pensou em abandonar seus estudos, mas se formou a tempo. Em sua mente, alimentava o sonho de ser médica, queria salvar vidas, mas com a ingrata ajuda do tempo e da necessidade, seu sonho viera a morrer pouco a pouco. Danna não é uma garota qualquer, ela é especial. Reservada ao seu trabalho e a si mesma na maior parte do tempo. Há quem diga que ela caminha sempre triste, mas em todos os outros jeitos ela sempre foi legal. Na verdade todos erram ao pensar qualquer coisa sobre Danna, pois seus olhos nunca dizem o que é real. A única coisa que eles podem confirmar, é que Danna é a garota mais linda de todo lugar.
Todos os dias ela vai trabalhar, sempre às 8 horas, pelo mesmo caminho antigo de pedras cinzas e gastas, pelo caminho ela colhe flores, conversa com pássaros seguindo os raios de sol até seu destino.Ela nunca reclamou do seu trabalho, mesmo que pareça injusto servir wisky para os homens do mar quase todo tempo.“Hey, Danna, traga mais uma rodada” eles dizem, “Que bela esposa você seria!”. Danna responde com um simples sorriso no canto de sua boca. Eles poderiam conhecê-la bem, mas não sabiam de sua história nunca contada.
Há 3 anos, Danna conheceu seu primeiro e talvez único amor. Tarde demais? Não. Seu nome era Charlie, marinheiro da US Navy. O único homem capaz de mexer com todo o seu ser. Ela lembra-se muito bem da noite em que o homem alto de cabelos negros convidou-a para sentar-se à mesa. Já era fim do expediente. Naquela noite, Charlie conseguiu fazer o que nenhum outro homem havia feito, desarmou-a completamente. Enfim, viveram o romance durante meses, até Charlie ser chamado de volta aos Estados Unidos. Sim, se pudesse ele a levaria... No entanto, prometeu voltar e buscá-la. 3 anos se passaram, e Danna ainda alimenta sua esperança usando um brilhante pingente da Espanha, de Charlie. "Eu volto para buscar os dois!" disse ele.
Hoje Danna ama um homem que não está por perto, não sabe se o mar guiará o seu filho de volta a esse lugar. E à ela só resta viver... Viver esperando todos os dias naquele mesmo lugar. Onde ela viu o homem de sua vida um dia aportar.