quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

- E vai se chamar: De mim, para você...




Deve haver algo no jeito em que me sinto, toda vez que seu olhar encontra o meu. Temo a maneira como eles se conhecem, mas nós já deveríamos saber que o primeiro amor deixa marcas. Sempre deixa. De todas as cores que meus olhos já pintaram, há apenas um desenho que o tempo não desbotou, e eles nunca poderiam me mostrar o que não é real. Abraçar você, ainda é como sentir as àguas do oceano subirem e descerem, dançando no compasso das marés de um constante prazer, varrendo todas as lágrimas que um dia a gente derramou. Minha cabeça deu voltas, todo meu corpo tremeu, e meu coração descompassou, assim como presente e passado se confundiram quando nos ofertamos nossos beijos... mas sempre há uma inexplicável incoveniência no tempo, e assim como os dias tão longos acabam e um curto pôr-do-sol... Às vezes nos deixamos tão depressa, mas ainda mal posso esperar pelo momento de dois corpos unidos novamente, seu perfume sob meu corpo, teu batom feito tatuagem em mim. Ouso escrever linhas sobre você, mas em nenhuma delas caberiam todos aqueles perfeitos momentos ao seu lado, ao longo dos tempos. E todos aqueles pensamentos sobre você, eu havia tentado afogá-los com whisky e vodka, mas posso agora sonhá-los novamente. Você me faz dançar, me faz cantar, e com você por perto poderíamos ter de novo juntos sol e lua. Minha imaginação me dá o melhor de mim, ouço sua respiração, e não estou sozinho no escuro... Eu sinto algo que não deveria, mas agora eu preciso mais de seus beijos "envenenados" e bato na porta do céu procurando por isso. Se meu coração pode sentir, eu não posso estar errado. Aquele nosso velho jogo terminou, e não houve vencedores exceto nós mesmos... Então podemos esquecer o tudo agora e viver os dias como se o mundo estivesse acabando, onde não ouviríamos as pessoas nos chamando. Fique comigo de alguma forma... De volta no tempo, lembre-se da nossa lua cheia, de como nos abraçamos para nos esquentar de uma fria noite de inverno... De como você me apresentou emoções escondidas em mim. Deveríamos saber que os melhores tempos não morrem, pois sabemos reconhecê-los em alguma bela melodia... Talvez estejamos unidos por laços impossíveis de partir, e aonde quer que ele nos leve, sempre haverão novos recomeços.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Feito bola de neve






Era a visão mais perfeita de todas, não tanto por causa do lugar, mas pela simples presença dela alí. A brisa da orla alisava seus cabelos gentilmente, e o sol já se escondia por trás do seu rosto. Os olhos se dirigiam pro horizonte, distante, infinitamente grande, assim como a vontade daquele rapaz em abraçá-la. Ele não conseguia prestar atenção em suas palavras, ela falava sobre algum lugar distante, talvez sobre onde se conheceram. A conversa deles parecia sem sentido, ao menos para o rapaz, e a moça temia o seu toque... Até que ele a trouxe para perto, muito perto de si. Então eles sentiram que não haviam mais palavras, e por um longo tempo, desejaram mais daquela experiência de quase amor. Abraçados lado a lado, ela acompanhou com o olhar, as mãos dele encontrarem as mãos dela. Fingiu um sorriso, como quem gostaria de gostar, e talvez ela só precisasse de tempo... quem sabe. Ele a beijou suavemente o rosto da moça, era aquele mesmo perfume que ele fez questão de guardar na memória. Ela continuou a fitar as mãos entrelaçadas, e deixou ser beijada, ainda em sua face, e ele sabia que não iria beijá-la pra valer, mas continuou assim mesmo, já involuntariamente. Sem mais, ela se levantou e os dois sabiam que era mais que um simples beijo... "Seria melhor que você encontrasse alguém" foi o que ela disse, meio sem jeito... Com todo cuidado do mundo. E de que adianta? Se essas coisas sempre machucam de um jeito ou de outro, sempre. Ele deveria se afastar... Com cuidado. Deveria ter ouvido aquelas vozes amigáveis dizerem "Hey, não se aproxime tanto", "Vá com calma...", ou ainda "Não, ela não te vê assim". E ele já sabia disso tudo, os dias mostraram isso, mas a razão já não falava mais por ele, e assim foi, como uma bola de neve. Era ela, sim! Ainda que estivesse sofrendo e tendo prazer... Sumindo com seu desejo de dormir, tirando-o forças a cada noite... Roubando sua única esperança. Ela é tudo e algo mais e difícil é dizer o que tanto o atraiu. Mas senhora dor, faça-o forte porque ele teme estar cego para o resto do mundo... A minha mente não mora mais em mim.

sábado, 31 de outubro de 2009

Ventrílouco.



Ele olha o reflexo no espelho, e não gosta do que vê. A cor desbotada, o corpo sem volume, um ventríloco de si mesmo. Jogado. Seus fios se entrelaçaram e ele não sabe como se mover, como agir. Sempre tropeçando a cada passo. Invejando vidas, que parecem ser tão belas longe da sua. Suas escolhas são sempre erradas, as piores possíveis. Em seu questionário, para cada A e B, sempre existiu um C. Sete vidas de um homem que passaram por ele, sete túmulos... um para cada amor que ele construiu. Apenas uma vez ele quebrou o seu maldito coração. Agora. Não importa o quanto ele mude, sua natureza sempre trará sua essência à tona, porque certas coisas são imutáveis. Então, seu coração é cheio de remendos, mas ninguém pode ver, ele não é tão notável assim. É apenas um boneco, velho e empoeirado. Mais um remendo não o deixaria mais feio... Seu único sonho é ter alguém que o pinte de uma cor diferente do cinza ou que costure uma abertura no seu peito esquerdo. Pobre boneco... Todos passam por ele, em sua face um sorriso falso, que de nada valeria se não fosse a alegria momentânea de qualquer pessoa. Já fora chutado e até mesmo mutilado... Talvez seja o mais infeliz dos brinquedos, mas seu sorriso continua lá. O que poderá fazer além de aceitar sua condição? Bonecos só se tornam humanos em contos de fadas... Ele nunca ganharia um certo coração... O daquela mulher, que sempre o acha no fundo do baú, em meio a tantos brinquedos mais interessantes, com luzes e até vozes. Ela sempre pega o boneco cinza e remendado, mexe em seus pés, suas mãos, e o põe contra a luz. Ela lhe dá uma voz e movimentos escandalosos... Um sorriso verdadeiro. Ele contempla tanto aquela moça que lhe dá uma pequena vida, sua cor morena e seus longos cabelos... Queria ser humano o bastante para beijá-la. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe! Pobre boneco, ela nunca conseguirá o ver... Ele precisa tanto dela para ter um propósito e para se tornar real. Ela precisa dele, para fugir dos dias mais cruéis, para transpor sua realidade... Até que ele esteja velho e quebrado demais.

sábado, 3 de outubro de 2009

"Madallenna"




Todos os seus sonhos, parecem inalcançáveis a cada manhã. Esperando na encruzilhada, caindo por terra e assistindo o Sol pondo-se ao longe. Ele viu as sete maravilhas, velejou pelos sete mares, caminou e falou com anjos. Em seu quarto não há sombras na parede, a luz não pode entrar porque ele fechou as janelas... Mas, na parede há um retrato de uma mulher, cujo amor ele confiou em suas mãos. Uma vela acesa, queimando até o final do mesmo jeito que todas as suas vontades. Os dias de ontem tornaram-se amontoados de que seus sonhos são feitos.
É uma noite fria lá fora, e o brilho da lua ilumina o caminho por onde quer que ele vá. "O silêncio da noite é a melhor canção que se pode ouvir, quando estamos separados." Agora, um pouco longe de casa, mas nunca tão cansado deste lugar, sentindo falta do seu bom... Bom amor, e do seu doce abraço. É tudo que ele precisa. As criaturas da noite sabem bem, se ele fosse um rei, tesouros e riquezas não significariam nada se apenas ele tivesse o seu coração. De novo. Talvez fosse bom, bom demais para ela.
Em uma pedra, tão dura quanto seu coração e tão pesada quanto seus ombros cansados, ele decide repousar. A neve está congelando seu rosto, e ele não pode sentir mais suas mãos. Queria poder escrever um último verso de perdão, ainda que ela não acreditasse em suas palavras. Mas essas são suas últimas linhas, o momento em que os pesadelos vem à tona. A vida é apenas um longo e triste jogo. Ele jogou e perdeu. "Bebo o veneno mais sujo... Tão quanto você". Não sorria assim tão vagarosamente, porque ele está definhando, seu corpo caindo e o velho coração nunca mais pulsará da mesma forma. "Tantas coisas aconteceram, tantas pessoas passaram, mas você será a última coisa que verei." No fim da noite, ele transcenderá e todas as velas se apagarão.


"Adeus, amor."

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

P a r a b é n s!




Mais um ano para que tem muito mais... Talvez não faça tanta diferença, já que ela parece ter todos em sua mente. Tão jovem e tão experiente, me surpreendo tanto com suas palavras... Conhecê-la cada dia mais me apaixona. Pela minha vida e por ela. Com palavras, ela me faz refletir, ver mais além. Com gestos, ela toca minha alma.
Ela é um desenho perfeito em meu papel, desses que só se consegue uma vez, não importa o quanto tente. E tentando, nós estamos delineando uma vida. A cada dia ela se torna mais mulher, uma essência rara em seu templo de beleza. Um presente do paraíso, do Senhor lá de cima.


Felicidades, Naan!


Em minha mente, em meu coração, todos os dias são seus... Eu te amo!

domingo, 9 de agosto de 2009

Além de todos os limites.





Ia caminhando por linhas de esquecimento e sem sentido, desde que você apareceu com sua luz, aqueles velhos fantasmas não podem mais tirar a minha paz. Esse seu calor que me cura o frio, esse teu amor que preenche o meu vazio... A tua lembrança que minha mente trás nas inquietações de fim de noite. Não sei se posso dar mais um passo, se não tiver ao menos o seu carinho, porque eu sei como é andar sozinho por aquela velha estrada. Um pouco quebrado, sempre fui... Dividido em cada parte dessa vida. Por trás dos panos, procurando por uma rima. Você faz sentir-me tão grande quanto um oceano, eu faço com que você se aqueça e queira continuar. Você me desarmou, agora meus braços estão livres e bem abertos... Todos nós sabemos os milagres que o amor é capaz de fazer. Em qualquer lugar. Tudo aconteceu rápido, mas tão sólido... Tantas vezes já me perguntaram se isso é saudável, mas eles sabem o modo que vivo por você. Não preciso refletir muito sobre isso, do meu sorriso vem a resposta. Como eu posso te dizer... menina, mulher, minha doce criança, eu estou contra a parede, pois você já é a parte mais necessária dos meus dias. Te amo tanto que às vezes dói, e eu não quero, tampouco posso parar! Pois com você, eu encontrei a chave para abrir qualquer porta. E quanto mais eu te conheço, mais quero tanto do seu amor... Há peças que se encaixam perfeitamente em nossas vidas, será que fomos feitos para ser?
Sei que quando você está comigo, aonde quer que você esteja, sinto que ficamos para além de todos os limites.
Naany.

domingo, 19 de julho de 2009

Esperando por você.


Não era um sonho. Era mais real do que eu pensava, mais do que estava à mostra. Estava tão nervoso que não consegui pensar em mais nada, meu corpo já não obedecia aos meus comandos, nem a minha voz. "Controle-se" e tudo o que eu quis foi correr até lá. Não poderia parar nenhum sentimento, mesmo já me sentindo assim antes, ela me fez perder o controle... Cada vez mais perto e perto, até que finalmente chegasse a hora em que meus olhos não acreditariam no que estavam vendo! Lá estava ela. Vestida de toda doçura, uma mulher! Olhar sereno... O seu sorriso sufocava toda minha saudade e ansiedade de alguém que nunca me soou familiar.
Até então, toda solidão estava em minha pele, até nossos corpos se tocarem. De repente alí, compondo aquele precioso momento, nós fechamos um grande abismo entre duas almas. Caminhando, ela deixou em cada lugar da cidade sua graça, que mais tarde me tomaria de saudade. Tudo o que eu pude ver em seus olhos, ouvir de sua voz há dias tão longe e agora tão próxima a mim... Nós fomos pegos pelo momento. O Sol já havia caído, levando cada hora do dia. Naquela noite cinza e fria de inverno, ela transformou quatro paredes num paraíso. Seu corpo terno de calor, de um perfume tão incomum, me fez seu pequeno refúgio. Desenhando cada parte sua, fazendo-me sentir salvo, me beijando e me explorando como nenhuma havia feito... Transformando-me. Aqui estou, seu desbravador.
Naquele estado de espírito, nosso silêncio poderia ser um crime, as palavras não ditas... Dificilmente encontradas por nós, mas em uma sintonia aparentemente perfeita. Seus olhos me contavam muito, e quando encontramos uma pequena versão de nós, um no outro, já era o "suficiente" por aquela noite. O tempo, tão relativo, não me deixou escolha... A não ser um beijo de boa noite e a promessa que no outro dia, quando os primeiros raios de sol a iluminassem, eu estaria lá, junto à ela... Tentando esticar ao máximo cada "último" momento.
à dona dos meus pensamentos, Nany.