domingo, 19 de outubro de 2008

Quarta feira 15/08

Eu tinha mesmo que ter feito aquilo... Como pude? Mas porque? Ainda que aquele passado não estivesse totalmente consumado para mim, eu não poderia escolher o caminho mais curto, porém nem o mais fácil seria tão correto ou fácil, só seria pouco menos errado.
Perdi a razão, feri meus princípios e corro o risco de machucar alguém que gosto. Ela é uma garota simples, aos meus olhos não despertou grandes atenções, nem um forte desejo de sentir seu calor, seu cheiro... Não me fez ver estrelas, como um dia eu as vi, antes mesmo de sair do meu próprio lugar... Não senhora, nenhuma daquelas duas o fez tão bem quanto "você".
Só 48 horas me separam do que eu até agora acho absurdo. Saibam que fui fraco, conquistei o coração de uma mulher, sem ter a intenção de amá-la. Eu tinha mesmo que vestir essa máscara! E o que mais me cega é o meu dilema, meu impasse : "ela é o meu tipo, mas não faz o meu tipo." Em meio a tanta pressão, talvez acabe vendo o lado contrário do que sinto e dando razão a felicidade daqueles que precocemente torcem pela tal "conquista". Saibam, esse é o meu problema, sempre querendo agradar os outros. Esse cara já deveria ter aprendido.
Hoje chateia receber mensagens no celular, me chateia quando a vejo feliz por estar esperando esse hipócrita que vos fala. Não poderia me sentir mais sujo! Ela não sabe o que eu sou... Nesse momento, afinidades não significam mais nada para mim.

Talvez deva parar por aqui, e quando lerem isto, amigos, já terei o feito. Talvez... Talvez seja bom pra mim... Talvez seja ruim pros dois lados.


Quanto a você, é você mesmo! Que vive seus dias de glória, voa tão alto que pode fazer suas gotas choverem em mim... Não me pergunte se está tudo bem.

domingo, 12 de outubro de 2008

Conto, "Páginas Erradas" Final



Tommy já estava atrasado para a aula, mas ansioso para chegar ao colégio mesmo com o seu ritmo lento nessa manhã. Podia não parecer, mas internamente ele estava explodindo de expectativas e decidiu parar de decorar o papel que havia escrito algumas frases na noite passada.
- Acho que não preciso disso, espontaneamente sai mais natural. – Tommy disse a si mesmo olhando para o espelho e embolando o papel.
Por fim, ajeitou sua roupa, calçou seu tênis preto e azul e desceu para tomar o café da manhã. Tommy parecia outra pessoa! O menino tímido deu lugar a um rapaz seguro e cheio de si, ele agora era metros mais alto do que imaginava que poderia ser. Saiu de casa e antes conferiu o celular. Bateria fraca. Foi o resultado do “cansaço” do celular que não era maior que o seu, mas a sua vontade o mantinha são. Seu pai já havia ido trabalhar e Mr. Revers percebeu que Tommy não se alimentou direito.
- Filho, alimente-se direito, você está atrasado, mas ainda dá tempo de uma refeição mais nutritiva!
- Não se preocupe mãe, eu como algo no colégio. –Tommy saiu quase levando tudo o que havia pela frente apenas para pegar uma maçã da fruteira.
Enfim, era hora de pôr seu plano em ação e cortar o “mal” pela raiz, antes que ele o desviasse de seu objetivo. Acelerou os passos e pensou bem no que iria fazer.
- É o que eu mais quero!
Chegando ao colégio, seguiu para a área verde atrás da quadra de esporte, perto do lago de águas calmas e azul-esverdeadas. Ninguém estava lá. Tirou o que trouxe da mochila, deixou tudo arrumando em um cantinho onde ninguém poderia ver, e voltou a caminhar 500 metros para portaria para aguardar o que havia encomendado.


Faz exatamente 30 minutos que a aula começou. Laura atenta como sempre, mas de vez em quando puxava conversa com a colega de trás propositalmente só para checar as reações de Martin, que parecia indiferente como sempre e hoje nem se quer cumprimentou Laura. Tirou então os olhos de Martin, e passou a se preocupar com a sensação que estava tendo essa manhã. Parecia que ela havia se esquecido de algo. Um lápis? Seu caderno? Desodorante? Não! Ela havia se esquecido de Tommy! Algo muito mais importante. Pensou como nessas últimas semanas estava tão cega por Martin, e nem se quer havia se quer tocado nele.
- Preciso ver o Tom... Mas aonde ele pode estar? Ele não é de perder aula. – Ela pensou consigo mesma.
Na parte superior da porta da sala de aula, o relógio marca 9 horas, e Laura está ansiosa pra sair, antes uma última olhada para Martin. Ele parece bem calmo.
- Acho que ele não vai gostar de me ver tão nervo... - Antes de completar a frase, Laura havia percebido um detalhe importante e óbvio. - Espera um pouco! Se Martin está aqui na sala, não pode ser ele que irá me encontrar daqui a... 20 segundos!

Enfim, o sinal do intervalo tocou, e Laura saiu em disparada para o píer próximo aos eucaliptos, mais além um pouco da quadra poliesportiva do colégio, no caminho uma surpresa um tanto quanto desagradável. Laura viu Martin aos beijos com uma garota. Era Clara, mas o que poderia fazer? Havia ainda um pequeno mistério que parecia brincar com sua felicidade. Ela estava cansada da correria que dera, e um pouco irritada com o que vira, então caminhou em passos longos e um pouco depois avistou o lago, em seguida os eucaliptos, estava perto. Entrou na pequena estrada que dava ao píer, olhava para os lados, para cima das árvores que o vento alisava as folhas, o lago sereno e azul onde os patos e gansos pareciam desfilar graciosamente.
- Eu estava esperando por você. – Alguém com uma máscara azul e branca, do tipo kabuki dos teatros japoneses, apareceu.
Laura hesitou, temeu aquele mascarado misterioso, mas que tinha a voz familiar.
- Quem é você? – Disse Laura.
- Antes que eu possa revelar... Eu quero te dizer que eu jamais conheci uma pessoa tão bela e tão magnífica quanto você, Laura. Você é tão linda... Basta olhar pra você e eu pareço enfeitiçado... – O mascarado chegou mais perto e acariciou o rosto de Laura. - Eu não consigo tirar você dos meus pensamentos, Laura... Porque eu realmente amo você.
Laura não encontrou palavras, e o mascarado aproximava-se dela, e ela sentia vontade de correr, mas algo a mantinha ali. Até que ela tocou a máscara e a retirou cuidadosamente... Era ele!
- Tommy... Era você... Meu Deus como eu pude ser tão cega?!
- Como pode ser tão linda?
E foram as últimas palavra dos dois como meros amigos, eles ficaram naquele lugar, aonde tudo começou, por horas, aonde voltariam todos os dias quando pudessem.
Até que enfim acabei!
Pra semana talvez retome meus textos.
Abraços ;)